| Pov Isabella |
Tudo que você faz na vida é uma prova... Cada erro, cada acerto é um ensinamento, cada dor sentida é uma lição de casa que faz você aprender a ser forte, querendo ou não. Dizem que a vida é feita de escolhas. Eu discordo. Eu não escolhi perder meus pais tão cedo, eu não escolhi sofrer, eu não escolhi estar aqui hoje, apanhando e sendo humilhada. Eu definitivamente não escolhi ter essa vida.
O braço pesado de Jacob ainda estava por cima de mim, o que não me deixava sair. As lágrimas escorriam por minha face, como sempre acontecia ao acordar cada manhã e descobrir estar vivendo em um pesadelo. Com toda a força que tinha, empurrei-o para o lado, o que me deixou livre de seu aperto. Ele não acordou, somente roncou ainda mais e virou-se para o outro lado. Graças a Deus.
Fui para o banheiro fazer minha higiene matinal e observar as marcas em minhas costas e na parte superior do braço. Havia pensado que após ter conseguido o emprego na Cullen’s Paradise, Jacob ao menos pararia de me chamar de inútil e até mesmo comemoraria comigo. Grande e amargo engano. O cachorro comemorou sim, batendo em mim. Ele se sentia realizado, o macho da casa.
Arrumei-me e me dirigi para a porta, saindo daquela casa. Ainda eram 6:00 da manhã, teria uma hora e meia para chegar ao meu mais novo trabalho. A primeira coisa boa que aconteceu comigo naqueles 15 anos.
Perdi meus pais muito cedo num acidente de carro, aos 5 anos. Não me recordo exatamente como tudo aconteceu, só lembro-me de estar cantando uma música com meus pais e logo depois, o som de gritos preenchendo o carro e uma luz forte nos seguindo. A parte da frente foi totalmente destruída. Eles morreram no local, mas ainda assim, mesmo estando todos machucados, minha mãe e meu pai seguraram a minha mão e disseram-me o último eu te amo verdadeiro que ouviria. Eles morreram logo em seguida, me deixando sozinha. O homem que dirigia o caminhão que nos atingira estava embriagado.
Minha tutela ficou por conta do tio Billy, irmão do papai e pai do meu maior pesadelo: Jacob Black. Jacob é quase 10 anos mas velho que eu. Quando fui morar com tio Billy, Jacob tinha aproximadamente 15 anos enquanto eu tinha somente cinco. Antes de completar meus 16 anos, Jacob era tudo para mim, absolutamente tudo. Irmão, amigo, até mesmo um tipo de pai. Mas depois da noite do meu aniversário, eu o odiaria com todas as minhas forças. Violentou-me e agrediu-me sem o menor remorso, tirando todos os meus sonhos e desejos de príncipe encantado que tinha naquela época. Ele tirou minha vontade de viver, assim como tirou a vida de tio Billy, que presenciou um de seus abusos e acabou tendo um ataque cardíaco. Naquele dia tentei fugir, mas Jacob me pegara e então, deu início ao inferno que seria a minha vida.
Com 20 anos, já sei o que é a dor de ter seus sonhos arrancados sem permissão de você.
(...)
- Olá Rosalie!
A loira que me entrevistou ontem estava ali na sua antiga mesa me esperando com um sorriso, que me passava segurança e até mesmo uma certa dose de carinho, coisa que eu não sei o que há tempos.
- Bella, como vai querida? Está pronta para o seu primeiro dia de trabalho? – Perguntou enquanto se aproximava de mim e me abraçava. Podia não ter nenhum tipo de afeto na casa em que morava, mas ainda lembro-me de tudo que meus pais me ensinaram, que meus pais me deram.
- A verdade? Não! – Rimos como velhas amigas – Estou muito ansiosa, de verdade. Conheço a fama do homem de gelo.
- Você está falando do meu cunhado? Edward? – Assenti meio envergonhada – Algumas coisas podem nos surpreender Bella! – Respondeu sorrindo enigmática. Não entendi o que ela quisera dizer, mas resolvi ficar calada – Venha, estava só lhe esperando. Já estou de saída, preciso arrumar os últimos preparativos do meu casamento! – Mandando-me um beijo, saiu apressada pela porta, me deixando sozinha naquela enorme sala.
Rosalie era noiva de Emmett, sócio e irmão do dono de tudo isso aqui. Se casaria dentro de algumas semanas e teria que abandonar o emprego aqui. Depois do casamento seria assistente pessoal de seu marido. Não quero nem pensar no que aconteceria dentro daquela sala daqui a algumas semanas. Constrangi-me pelo pensamento, mas sorri, essa empresa me deixava feliz.
Ela já havia me ensinado tudo no dia em que fui contratada – ontem – então hoje era só por em prática. Dirigi-me a máquina de café que havia ali e fui entrando na sala do Sr. Cullen enquanto ele não chegava. Aproximei-me da mesa e deixei ali o café. Já ia saindo quando algo me chama a atenção. A foto de uma garotinha com os cabelos acobreados e olhos bem verdes sorrindo. Ela era linda. Sem pensar peguei a foto e trouxe para mais perto dos meus olhos. Senti algumas lágrimas caírem dos meus olhos, afinal, eu nunca poderia ter um filho, não enquanto estivesse no domínio de Jacob. Eu não queria que meu filho tivesse um pai daqueles.
Deixei esse pensamento para lá e voltei a me concentrar na foto a minha frente. Era a garotinha mais linda que já havia visto. Fiquei admirando a foto quando escuto a porta bater. Meu coração dera um salto e me virei imediatamente. Olhos frios me encaravam e pelo que pude ver, esse era o meu chefe, o homem de gelo. Oh droga!
- Empregados não são pagos para virem a sala do chefe e verem as fotografias alheias. Ninguém nunca lhe ensinou que é errado se meter onde não é chamada?
A voz era ainda mais fria e cortante do que imaginei que fosse. Mas afinal, o que fiz de errado? Só estava admirando a menininha mais lindo que já vira!
- Desculpe senhor, isso nunca mais irá acontecer. Só fiquei encantada com a menina! Desculpe-me mais uma vez, já estou de saída.
Saí em passos apressados pela sala e de cabeça baixa, mais uma mão me impediu que saísse. Será que ele iria me demitir?
- Desculpa Srta, não foi minha intenção ser rude com você. Só peço que não mexa mais em minhas coisas sem minha permissão. – Os olhos do tom mais verde que já vira me encaravam. Não havia sentimentos neles. O sorriso torto no rosto era ainda mais falso do que seu pedido de desculpas.
- Não foi nada, deveria saber meu lugar aqui Sr. Cullen. Agora, se me permiti, tenho que voltar a minha mesa.Com licença.
Saí dali o mais depressa possível, aquele homem tinha uma presença tão forte que chegava a me deixar incomodada. Apesar de tudo, era dono de uma beleza estonteante. Olhos bem verdes, pele branca, lábios vermelhos e carnudos, cabelos acobreados e bagunçados que dava-me a vontade de passar meus dedos por entre os fios. Não! Pare com esses pensamentos Isabella e ponha-se no seu lugar de secretária. Pare, pare, pare! Balançando a cabeça, voltei a me concentrar no longo trabalho que tinha.
As horas passavam rápido e quando vira, já estava quase na hora do almoço. Não havia lembrado de perguntar a Rosalie se deveria almoçar na empresa ou se poderia ir almoçar em qualquer restaurante. Teria que entrar naquela geleira que era a sala do Sr. Cullen novamente.
Quando ia me levantar para ir em direção a sala dele, o telefone toca.
- Cullen’s Paradise bom dia!
- Srta. Swan? Venha até a minha sala, agora. – Sem me dar chance de respostar, desligou.
É, educação mandou lembrança e um beijo. Rindo comigo mesma, fui para sua sala.
De costas para mim estava ele que falava ao telefone. Não parecia nem de longe aquele homem frio que falara comigo mais cedo. Virou-se para mim com um sorriso doce nunca visto antes. Os olhos estavam alegres, com sentimentos. Alguém tinha a capacidade de transformá-lo... Do homem de gelo ao cara com sorriso bobo no rosto... O sorriso mais lindo que já vira!
Quando percebi ele já havia desligado o telefone e me encarava. Um sorriso instalou-se em meu rosto ao perceber que ele não era sempre uma geleira ambulante.
- Não sei se Rose comentou com você, mas alguém muito importante para mim sempre insiste em conhecer minhas secretárias. Como hoje é oficialmente o seu primeiro dia, peço-lhe gentilmente – essa última palavra saíra carregada de ironia – que venha almoçar conosco.
Meus olhos arregalaram-se diante de seu convite. Se Jacob imaginasse que eu estaria almoçando com outro homem que não fosse ele e mesmo sendo o meu chefe, não sei se estaria aqui outro dia. Só de imaginar essa ideia, minhas pernas tremeram.
- Senhor Cullen, eu... Eu não posso, desculpe! – Falei respirando com um pouco de dificuldade. O medo que sentia de Jacob era maior que qualquer outro coisa.
- Como havia dito, peço gentilmente. Isso quer dizer que é uma ordem Srta. Swan. Vamos, pegue sua bolsa e vamos logo. Ela já está nos esperando.
Com as pernas trêmulas, fui para a minha cadeira e peguei minha bolsa que continha algum dinheiro. Não sei como pagaria, mas teria que dar um jeito tanto agora como mais tarde explicar para Jacob o porquê do dinheiro ter sumido se estava trabalhando. Eu sabia que isso iria doer.
Ia pegando a chave do meu carro quando uma mão colocou-se em cima da minha. Um choque percorreu meu corpo e tirei rapidamente a mão dali. Acho que não fora a única a sentir, já que Edward me encarava de um jeito estranho. Vi ele balançar a cabeça e dizer um você vai comigo. Resolvi ficar calada e segui-lo.
(...)
A única coisa que se escutava no luxuoso carro era uma música calma que tocava. Sr. Cullen não falara nenhuma vez, mas de vez em quando o via olhando para mim, ou melhor, para minhas pernas. Tentei a todo o custo baixar um pouco a minha saia, mais de nada adiantou. Bufei alto, o que fez com que ele olhasse para mim e risse. Arqueei uma sobrancelha esperei para ver o que ele iria falar.
- Tem bonitas pernas Srta. Swan e o que é bonito são para se mostrar, não sabia?
Pude sentir minhas bochechas esquentarem e ficarem de um tom vermelho forte. Preferi não dar resposta alguma, somente afastei minhas mãos de minhas pernas e olhei pela janela do carro. O que esse homem tinha? Numa hora era frio como o gelo e outra hora suas palavras conseguiam me deixar quente como o fogo.
Parece que o homem de gelo não é tão frio como dizem.
O carro parou em frente a um sofisticado restaurante em cores bege e preto. Tudo aqui deveria custar o olho da cara! Indo em direção á recepcionista do restaurantes, deu-lhe algo parecido com um cartão e puxou-me pelo braço me levando a um local mais afastado. De onde estava pude ver uma pessoa pequenina e com cabelos curtos e acobreados. Parecia – de costas – a menina da foto em seu escritório. Sorri em expectativa.
- Então a princesinha do papai já estava me esperando? - Perguntou Sr. Cullen de uma forma amorosa enquanto abria os braços para acolher o pequeno corpo que se jogara contra ele. Pai e filha? Não sabia que ele era pai, mas como disse Rosalie, algumas coisas pode nos surpreender!
- Vuxê tava demolando papai... Pensei que num vinha mais para trazer a moça buíta. – A voz doce e infantil soou como música em meus ouvidos. Se por foto era uma menininha linda, imagina pessoalmente! Mas algo me chamou a atenção: Ela disse moça bonita? Onde ela havia escutado isso?
- Madison! O que o papai falou? – Disse o Sr. Cullen com as bochechas... Coradas? – Desculpe pelo atraso e sim, eu trouxe a moça que lhe falei. Seu nome é Isabella, mas pelo o que eu sei ela gosta de ser chamada de Bella.
- Bêua papai? – Disse a menina fazendo um biquinho fofo ao tentar falar o meu nome.
Aproximei-me da pequena menina abaixando-me para ficar da sua altura. Os olhinhos verdes me encararam com curiosidade, mas logo senti braços fininhos rodeando meu pescoço.
- Olá Bêua! Vuxê é muito buíta sabia? – Disse enquanto batia os cílios, a fazenda parecer uma mini fadinha.
- Você também é linda Madison, sabia? – Não percebi que lágrimas escorriam do meu rosto até sentir a pequena mãozinha secando-as. Doía saber que nunca escutaria alguém me chamar de mamãe.
- Moças buítas num devem cholar não! Né papai?
- Sim pequena, nunca devem chorar!
Olhando para aquele homem com os olhos marejados, senti um fio de esperança nascer em mim. Se uma menina conseguia fazer o homem de gelo chorar, por que eu não conseguiria ser, um dia, feliz?
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
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